Multis IBM, Fujitsu, Ford, GM, USB e Barclays acusadas na Justiça de Nova York de beneficiarem-se do apartheid sul-africano

IBM, Fujitsu, Ford, GM, USB e Barclays acusados na Justiça de Nova York de  beneficiarem-se do apartheid sul-africano
Ação destinada a tornar-se marco histórico está no Tribunal Federal de Nova York.
As vítimas do apartheid na África do Sul apresentam queixa contra a IBM, a Fujitsu, a Ford, a GM e os gigantes da banca UBS e Barclays, que acusam de terem ajudado o regime segregacionista pré-1994.
A ação judicial acusa as corporações de “participação por conhecimento em e/ou cumplicidade com os crimes do apartheid; de execuções extrajudiciais; de tortura, prolongada detenção ilegal e tratamento cruel, desumano e degradante.
O pedido de indenização por danos supera a 400 mil milhões de dólares.
Esta acção judicial sugere que o regime de apartheid não poderia ter sucesso na sua violenta opressão de milhões de pessoas sem o apoio activo das corporações estrangeiras.
A Ford e a General Motors construíram centros fabris em Port Elizabeth, África do Sul, e usavam trabalhadores negros por preço muito barato, porque havia lei na África do Sul que dizia que os negros não tinham permissão para filiar-se em sindicatos e não tinham direito à greve, portanto eram forçados a aceitar quaisquer salários.
O mesmo acontecia com a IBM e a Fujitsu.
O bancos UBS e Barclays, alega a ação judicial, “financiaram as forças de segurança sul-africanas que levaram a cabo os mais brutais aspectos do apartheid”. Em 1979, o Comité Especial das Nações Unidas contra o Apartheid declarou que “tivemos hoje conhecimento que mais de 5,4 mil milhões de dólares foram emprestados por um período de seis anos para amparar regime que é responsável por alguns dos mais hediondos crimes alguma vez cometidos contra a humanidade.”
Houve bancos (incluindo o UBS) punidos por ajudar os nazis durante a Segunda Guerra Mundial, portanto, o precedente para reparações no caso do apartheid existe.
O advogado de um dos queixosos, Michael Hausfeld, disse que “se companhias podem afetar vidas de forma a torná-las piores, de maneira que pessoas sejam suprimidas ou aterrorizadas, basicamente estamos a admitir que companhias possam agir com impunidade e imunidade para sempre.”
Após o apartheid, a África do Sul atravessou processo histórico, a Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC, da sigla em inglês), liderada pelo laureado Prémio Nobel da Paz arcebispo Desmond Tutu, ouviu milhares de pessoas que assumiram responsabilidade por ações de colaboração com o apartheid, assim como muitas corporações sul-africanas. Nenhuma multinacional, entretanto, aceitou o convite para falar no TRC.
A ação judicial, diz Marjorie Jobson, diretora nacional do Grupo de Apoio de Khulumani, que apresentou a ação judicial, “leva adiante o processo inacabado do TRC.”
A eleição de Barack Obama, filho de africano, foi momento histórico na luta contra o racismo. Mas só se os tribunais dos EUA estiverem abertos a abordar os erros do passado e do presente, caso contrário as corporações sentir-se-ão livres de ir para o estrangeiro e lucrar com políticas racistas e repressivas.
Clique aqui e leia o artigo de Amy Goodman, apresentadora do noticiário internacional diário Democracy Now!, , nos EUA, para mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em 200 emissoras em espanhol.
http://www.esquerda.net/content/view/15055/130/

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As vítimas do apartheid na África do Sul abriram processo, no Tribunal Federal de Nova York, contra as multinacionais IBM,  Fujitsu, Ford, GM e as redes de bancos UBS e Barclays, acusando-as de terem beneficiado-se do regime segregacionista pré-1994.
A informação foi divulgada por Amy Goodman (foto), apresentadora, nos EUA,  do noticiário internacional diário Democracy Now!, transmitido por mais de 500 emissoras de rádio e TV.
A ação acusa as corporações de “participação por conhecimento em e/ou cumplicidade com os crimes do apartheid; de execuções extrajudiciais; de tortura, prolongada detenção ilegal e tratamento cruel, desumano e degradante.
O pedido de indenização por danos supera a 400 mil milhões de dólares.
Segundo Amy, a ação sugere que o regime de apartheid não poderia ter sucesso na sua violenta opressão de milhões de pessoas  e assassinato de outras centenas de milhares de sul-africanos sem o apoio ativo das corporações estrangeiras, que se beneficiaram dos crimes.
A ação acusa a Ford e a General Motors de terem construído centros fabris em Port Elizabeth usando trabalhadores negros por preço muito barato, porque havia lei na África do Sul que dizia que os negros não tinham permissão para filiar-se em sindicatos e não tinham direito à greve, portanto eram forçados a aceitar quaisquer salários.
O mesmo acontecia com a IBM e a Fujitsu.
“Os bancos UBS e Barclays financiaram as forças de segurança sul-africanas que levaram a cabo os mais brutais aspectos do apartheid”, denuncia a ação.
Em 1979, o Comitê Especial das Nações Unidas contra o Apartheid declarou que teve “conhecimento que mais de 5,4 mil milhões de dólares foram emprestados por período de seis anos para amparar regime que é responsável por alguns dos mais hediondos crimes alguma vez cometidos contra a humanidade.”
Segundo os advogados dos sul-africanos, houve bancos (incluindo o UBS) punidos por ajudar os nazis durante a Segunda Guerra Mundial, portanto, o precedente para reparações no caso do apartheid existe.
“Se companhias podem afetar vidas de forma a torná-las piores, de maneira que pessoas sejam suprimidas ou aterrorizadas, basicamente estamos a admitir que companhias possam agir com impunidade e imunidade para sempre”, dizem os advogados.
Após o apartheid, a Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC, da sigla em inglês), liderada pelo laureado Prémio Nobel da Paz arcebispo Desmond Tutu, ouviu milhares de pessoas que assumiram responsabilidade por ações de colaboração com o apartheid, assim como muitas corporações sul-africanas.
“Nenhuma multinacional, entretanto, aceitou o convite para falar no TRC. A ação leva adiante o processo inacabado do TRC”, diz Marjorie Jobson, diretora nacional do Grupo de Apoio de Khulumani, que levou o processo à Justiça de Nova York.

A eleição de Barack Obama, filho de africano, foi momento histórico na luta contra o racismo. Mas só se os tribunais dos EUA estiverem abertos a abordar os erros do passado e do presente, caso contrário as corporações sentir-se-ão livres de ir para o estrangeiro e lucrar com políticas racistas e repressivas.

Clique aqui e leia, em português, o artigo de Amy Goodman, no site Esquerda Net.