WikiLeaks vaza histórias escabrosas
A organização online WikiLeaks tem dominado os noticiários com a divulgação de documentos oficiais americanos sobre as operações de guerra no Afeganistão, o que desagrada à Casa Branca, o Pentágono e a agência de informação do governo norte-americano CIA.
Não é a primeira vez que a WikiLeaks, que como objetivo divulgar documentos secretos de governos e corporações para revelar comportamentos antiéticos, envolve-se em polêmicas por divulgar informações secretas, em conflito direto com bancos suíços, defensores da cientologia, oligarcas russos e ditadores africanos.
Desde que foi fundada, em dezembro de 2006, pelo jovem australiano Julian Assange, a organização já vazou dezenas de documento, destacando-se o memorando sobre o despejo de lixo tóxico na costa africana e um manual do Exército americano sobre as operações na prisão da Baía de Guantánamo.
O Pentágono diz que a atuação do WikiLeaks coloca em risco a vida dos soldados no teatro de operações do Afeganistão e que a divulgação de documentos secretos foi criminosa.
Assange responde que as ações criminosas vêm na verdade dos americanos.
“As operações da chamada Força-Tarefa 373 – são de “esquadrão da morte” das forças especiais americanas -, encarregado de assassinar pessoas incluídas em lista arbitrária. Mataram pelo menos sete crianças e outros inocentes”, denunciou ele.
Segundo Assange, pessoas eram incluídas nessa lista “por recomendação de governos locais ou de outras autoridades com poucas provas e sem supervisão judicial”.
É normal o site receber críticas de membros do governo norte-americano, defensores de operações militares criminosas no mundo, e também por defensores do governo, que alegam que a organização prejudica o direito à privacidade de outros em favor de sua auto-promoção.
Steven Aftergood, especialista em sigilo governamental na Federação de Cientistas Americanos, acusa a WikiLeaks de “vandalismo da informação”.
Para ele, o site deve ser considerado “inimigo da sociedade livre porque não respeita as leis ou honra os direitos dos cidadãos”.
No último domingo de julho, a WikiLeaks fez o maior vazamento de sua história: postou na internet mais de 92 mil relatórios militares confidenciais sobre a guerra do Afeganistão.
Em entrevista ao New York Times, Assange, afirmou que os documentos revelam nível mais amplo e denso de violência no Afeganistão do que já foi divulgado pelos militares ou reportado pela mídia.
“Eles mostram não apenas incidentes graves como também a sordidez da guerra, com informações que vão da morte de crianças a grandes operações que matam centenas de pessoas”, resume.
Segundo Assange, cerca de 15 mil documentos não entraram no relatório por conta de questões de segurança e passam por nova avaliação.
A organização funciona com menos de dez voluntários trabalhando em tempo integral, mas conta com rede de cerca de 900 colaboradores.
O site é operado de servidores em diversos países, entre eles Bélgica e Suécia, onde as leis oferecem mais proteção aos vazamentos.
O mote da WikiLeaks é a busca pela transparência com o objetivo de reduzir a corrupção, melhorar a atuação dos governos e fortalecer a democracia.
A base intelectual do WikiLeaks pode ser identificada em manifesto escrito divulgado pela entidade, que prega a luta contra os segredos e conspirações em detrimento da população.
“Não é questão de direita ou esquerda, de liberalismo ou socialismo. A luta é do indivíduo contra as acachapantes instituições criadas pelas sociedades, formadas por funcionários que não têm o bem comum em vista, e sim a perpetuação do próprio sistema, envolto em segredo e em cada vez mais burocracia. “Acreditamos que a transparência em atividades governamentais leva à redução da corrupção e ao fortalecimento da democracia”, afirma o WikiLeaks em sua declaração de objetivos.
